BEHIND the FASHION

A mestria do Alfaiate Ayres

Ayres Bespoke Tailor

“É uma tradição que se mantém na família graças à
dedicação e inspiração diária. Decidi na adolescência que a alfaiataria
seria o meu caminho e foi para este projecto que trabalhei…”

Vídeo por Nuno Miguel

Q & A

Entrevista por Maria Ana Marques

Num prédio clássico e antigo do Porto, fomos encaminhados para um elevador, daqueles que nos transportam para uma distinta realidade, como se não estivéssemos só a subir de andar mas a mudar de mundo. No último andar, está o Atelier do Ayres Gonçalo, e no seu espaço, que entretanto entrará em obras, sentimo-nos absorvidos por todas as estórias que conseguimos imaginar. Pequeno e acolhedor, interessante em toda a sua dimensão, nada foi deixado ao acaso, as cores, o cadeirão, a secretária, os livros e os catálogos.

A combinação de qualidade, elegância e paixão fundem-se naquilo que identifica o Ayres Bespoke Tailor, “o corte e confecção manual é essencialmente o que me distingue. O meu passado e a minha história também são elementos fundamentais para aquilo que tenho vindo a construir”. Não seria de admirar que para o Alfaiate do Porto o seu maior desafio até agora tenha sido a execução de um fato para o Príncipe Carlos de Inglaterra.

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1. Quando nasceu o Ayres Alfaiate?
O Ayres alfaiate nasceu no Porto a 4 de Março de 1981.

2. Na sua opinião acredita que a profissão de alfaiate está em vias de extinção?
Na minha opinião a verdadeira profissão de alfaiate está a caminho da extinção, é necessário que haja formação para manter esta arte viva.

3. Como é um dia típico da vossa equipa?
Gostava de lhe responder muito assertivamente a esta pergunta, mas todos os dias são diferentes, nunca são como o planeado. Por exemplo, ontem tirei o dia para poder passear com o meu filho de 18 meses, acordei muito feliz, vesti-o da forma como gosto e fomos tomar o pequeno almoço a um dos meus locais favoritos no Porto. Aí toca o telefone, era um cliente que vai casar no deserto e necessitava de escolher os fatos para a cerimónia imediatamente… Acabei por ter que deixar o meu filho em casa da minha mãe… Gosto do factor surpresa, de estar hoje aqui e alguém me telefonar a pedir para o ir visitar no dia seguinte a qualquer parte do mundo porque está a precisar de fatos. Trabalho com muito prazer e paixão, foi assim que me ensinaram.

4. Conte-nos uma estória curiosa que tenha ocorrido desde que começou a trabalhar. Uma daquelas que guarda no baú.
Tive uma história muito recentemente. Estava numa das minhas viagens de comboio entre o Porto e Lisboa e liga-me a secretária de um arquitecto suíço a solicitar uma marcação porque o seu chefe pretendia fazer um fato para uma visita ao Palácio da princesa Hussa na Arábia Saudita. Quando o atendi no meu atelier em Lisboa, fiquei entusiasmado com o homem, a sua cultura geral, a forte personalidade, os vários negócios em que está envolvido, tudo isto são factores que me despertam a atenção e curiosidade. Gosto de trabalhar para homens sofisticados e tinha acabado de ganhar um deles. Quando me diz que tenho cinco dias para fazer o fato e que num desses cinco dias estava incluído o dia de Natal… Gelei! É a terceira vez na vida que passo o Natal a trabalhar, mas quem me conhece sabe bem que adoro.

5. Que conselho daria a alguém que esteja interessado em seguir o/a mesmo/a caminho/profissão que o Ayres?
Muita força de sacrifício. O resto vem com trabalho e dedicação.

6. O que acha que mudou desde que entrou neste mercado? E o que se mantém?
Conhecia relativamente bem o mercado ainda antes de começar a trabalhar. O meu avô é alfaiate e eu acompanhava-o várias vezes. Julgo que continua tudo na mesma, existe clientela para um tipo de trabalho especial tal como havia antes. Uns gostam de ir ao pronto a vestir, outros ao alfaiate.

7. O que ambiciona fazer num futuro próximo?
Desenvolver uma marca nova que possuo a “Pazzi” é uma marca que criei essencialmente para poder fazer o que me apetece sem barreiras na imaginação; tem o nome do meu filho e será dele um dia. Por enquanto estou a fazer camisas para miúdos e em breve irei fazer t-shirts, polos, óculos de sol, etc… A resposta do público tem sido muito positiva.

8. Como se imagina daqui a 10 anos?
Dessa forma a Ayres Bespoke Tailor ficará única e exclusivamente para alfaiataria e a “Pazzi” para tudo o que se possa imaginar… Não me imagino, deixo acontecer.

9. Qual o vosso conceito de sucesso?
Sucesso é um cliente chegar a casa com um fato novo e a mulher dizer: diz ao Ayres que o fato ficou muito bonito.

10. Numa frase como descreveria o Ayres Alfaiate junto dos outros.
Numa palavra… Simples.

www.ayresbespoketailor.com


Fotografia por Pedro Lucas