BEHIND the LIFESTYLE

O reflexo de um auto-retrato:
Pedro Falcão

Pedro Falcão

“Gosto de me inspirar sobretudo nos anos 70, seja qual for a disciplina: música,
arquitectura, design nas suas diversas valências, cinema, fotografia, artes plásticas.
O meu maior desafio até agora? É viver… Viver é um enorme desafio.”

Fotografia por Pedro Lucas

Q & A

Entrevista por Maria Ana Marques

Designer gráfico nascido no princípio dos anos 70, fomos conhecer Pedro Falcão e explorar um pouco do seu mundo. Amante do mar, de música, da cultura Anglo-Saxónica e do Modernismo, criou o recente Fly Black Bird – More than a Surfboard com o qual tem vindo a assinar e a desenvolver projectos que fazem com que interligue as suas paixões.

Hoje em dia, a Fly Black Bird é uma marca de pranchas de surf. Não existem duas iguais, são numeradas, desenhadas, pintadas e construídas à mão.

Os livros fazem parte de uma paixão e de uma cultura que o Pedro, um criativo nato, não se quer distanciar, por isso naturalmente em 2015 acabou por nascer o livro “Fly Black Bird – More Than a Surfboard”, onde o designer compila em mais de 220 páginas, fotografias e entrevistas sobretudo relacionadas com a cultura do surf.

Do Pedro percebemos que tudo aquilo que faz tem a sua marca pessoal. O seu lado criativo, os conhecimentos que tem vindo a adquirir em conjunto com os interesses que mantém não ficam de lado quando se trata de desenvolver projectos.

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1. Como surgiu a paixão por livros?
Quando estudava Artes Plásticas na Escola Superior de Arte e Design nas Caldas da Rainha, surgiu a necessidade de fazer um pequeno catálogo para uma exposição que fiz com um amigo. A partir daí comecei e mergulhei a pés juntos.

2. E pela fotografia?
Antes de estudar na ESAD nas Caldas da Rainha, estive na Escola Superior de Tecnologia de Tomar, onde entrei em contacto com a disciplina de fotografia. Até lá, já tinha algumas noções, mas foi em Tomar que me apaixonei definitivamente. As condições do laboratório eram completamente absorventes, passei horas no escuro…

3. Como é um dia típico aqui no Atelier Pedro Falcão?
Geralmente chego por voltas das 10h00 da manhã. Verifico o correio analógico (é comum receber muitas encomendas com testes de produção), sento-me ao computador e trato do correio digital. Por volta das 14h00 regresso ao atelier após uma pequena paragem para almoçar. Depois há dias em que estou fora do atelier a acompanhar trabalho de produção, sou muito exigente.

4. Fala-nos do projecto Fly Black Bird.
Em 2011 fiz uma exposição individual na sala do Veado no Museu de História Natural onde apresentei um auto-retrato. Esta obra não é um auto-retrato comum, ou seja não é a minha figura, mas sim um objecto que carrega algumas das minhas características que me definem como pessoa. Este objecto é uma prancha de surf preta, com o outline de uma twin-fish e com uma inscrição no nose da prancha que diz em letras brancas “Fly Black Bird”.

5. E depois desse auto-retrato o Fly Black Bird cresceu…
Sim, a partir daí percebi que queria engrenar num outro projecto que tivesse como ponto de partida esta inscrição e o desenho de pranchas de surf. Dois anos depois, ou seja, em 2013 a Fly Black Bird – More than a Surfboard surge fisicamente.

6. Há alguma estória curiosa/engraçada que tenha ocorrido em termos profissionais? Daquelas que guardas no baú.
A minha memória não é grande coisa… Mas recordo-me de uma em particular. Em 1999 estava a desenhar a representação portuguesa na La Biennale di Venezia, 48. Exposizione Internazionale d’Arte, com o curador/professor Delfim Sardo e com o artista que nos representava, o Jorge Molder. Foi o meu primeiro trabalho muito importante. Muitos materiais, nos seus diversos formatos, que culminou com o livro/catálogo da exposição que é a memória desta operação. Em conjunto com a equipa discuti todos os pormenores do livro, desde o formato, aos materiais, passando pela mancha gráfica, corpos de letra, etc. A particularidade deste livro é a sobrecapa em acetado, inspirada nalgumas imagens que o Jorge Molder apresentou. A exposição foi um sucesso e foi um orgulho enorme ter participado e ter atingido estes resultados. Passados uns meses, entro numa livraria, e encontro um livro com as mesmas características técnicas que o livro que tinha desenhado para Veneza. Era igual… Fiquei congelado…

7. O que ambicionas fazer num futuro próximo?
Continuar aquilo que estou a fazer, com cada vez mais qualidade.

8. Como te imaginas daqui a 10 anos?
Não pensei sobre isso. Espero continuar o meu caminho com mais saber.

9. Qual é o teu conceito de sucesso?
Honestidade, seriedade e perseverança.

10. Numa frase, como descreverias o Pedro e aquilo que faz, junto dos outros.
Não faço ideia…

www.flyblackbird.net
www.atelierpedrofalcao.com
www.fbbstore.com