BEHIND the TABLE

Vinhos do Douro para momentos que perduram

Consensual & Sedinhas – Vinhos do Douro

“Num futuro próximo pretendemos lançarmo-nos na comercialização de vinhos do Porto, com as nossas marcas ou com outra marca nova específica para o efeito.”

Q & A

Entrevista por Maria Ana Marques

As marcas Consensual e Sedinhas nasceram pelas mãos de António Girão.

Estas têm uma identidade que resultam da tradição, da escolha das melhores uvas, da personalidade das vinhas velhas com mais de 40 anos.

know how, a paixão e a dedicação por todo o processo de vitivinicultura, aliado à topografia, solo, ensolaridade e clima tem produzido ao longo dos anos vinhos de excelência.

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1. Quantos hectares tem a Quinta ao todo? Em quantos são produzidos vinho?
Cerca de 30 ha, dos quais 25/26 ha de Vinha RDD, totalmente inseridos dentro do perímetro do Douro Património Mundial (UNESCO 2002).

2. Porque se iniciaram na produção de vinho? É uma história de família com cerca de quantos anos?
Desde sempre que a nossa Quinta (est. 1740) e o Douro em geral, produz uvas para 2 denominações de origem: Porto e Douro. Historicamente, tal como a maioria dos demais produtores durienses, sempre produzimos uvas para serem vendidas às grandes firmas para preenchimento da litragem que está consignada ao chamado Benefício e cuja quota é anualmente atribuída para a produção de mosto generoso (vulgo Vinho do Porto). As uvas que vão para além dessa quota vão para o vinho dito de mesa, com o DOC-DOURO à cabeça. Ora, como os preços praticados para as uvas com benefício são em média 3 ou 4 vezes superiores aos preços das uvas “excedentárias”, isto é, que estão para além da quota do Vinho do Porto e que vão para o vinho de mesa/DOC-DOURO, a partir de 1990, decidimos passar a não vender a totalidade ou parte dessas uvas e assim lançarmo-nos na produção dos nossos próprios vinhos com as nossas próprias marcas: primeiro com o Sedinhas, depois com o Consensual. Na viragem do século, esse custo de oportunidade também funcionou como um convite à produção própria para muitos produtores durienses. Hoje, o número total de operadores que comercializam vinhos do Douro (Porto, Douro, Moscatel, Espumante e Duriense) ascende a 490, cada um deles, muitas vezes com várias marcas.

3. Quais são os vinhos mais interessantes que podemos encontrar da vossa marca e porquê?
Talvez o Consensual Top Premium Vinhas Velhas, porque provém de uma vinha com mais de 70 anos e o Consensual C16 Grande Reserva, porque tal como o nome indica (C16), só tem esta designação em anos em que a graduação alcoólica do vinho atinge os 16 ou 16,5%!

4. Qual o processo mais desafiante na altura de lançar um novo vinho?
Toda a concepção é um desafio. Tudo tem de bater certo e as variáveis que entram nesta equação são muitas. Desde o granjeio anual da vinha (poda, espampa, desponta, limpeza dos terrenos, tratamentos fitossanitários, vindima, etc…) e a questão da imponderação do clima, à vinificação, ao estágio em barricas, aos produtos enológicos, etc… Depois vêm os engarrafamentos, alguns deles 2 ou 3 anos depois da vindima… Aprovações dos lotes pelo IVDP, garrafas, rolhas, rótulos, caixas, cápsulas, engarrafamentos, transportes, armazéns… Depois, vêm os clientes, as vendas, as feiras, os concursos, as acções promocionais, as cobranças…
Mas para um produtor de vinhos que vive a sua Arte com verdadeira paixão, o reconhecimento dos seus vinhos no mercado é o maior prémio que ele pode receber.
Resumindo, é um processo longo e complexo. E para quem está de fora, é difícil imaginar o trabalho titânico que implica criar um vinho ou uma marca e, muito mais, mantê-la activa e viva no mercado. Na brincadeira, costumo dizer que cada vinho que produzo é como um filho…Todos diferentes, cada um com as suas características e problemas, mas todos filhos…

5. Qual foi o maior desafio até agora?
Para além de haver muito mais marcas no mercado, a qualidade dos vinhos também melhorou muito (o que é bom para o consumidor), pelo que há muito mais concorrência e muito mais dificuldade em crescer, ou penetrar em novos mercados, ou mesmo em conseguir manter um nível de vendas consentâneo com as estruturas e logísticas que estão montadas.

6. Que evolução notam no mercado? O que acham que se mantém e o que mudou?
Hoje o mercado é mais difícil e trabalhoso. Ao contrário de antigamente, hoje rareiam os clientes que querem comprar quantidade para fazer stock. Mesmo beneficiando de descontos de quantidade. Estamos na Era do just in time, sendo que a factura ou o ónus deste novo mercado, passa na íntegra para o produtor, que tem de estar preparado para fazer enormes stocks ao longo do ano e saber adaptar-se à logística e ao custo de muito mais entregas e recebimentos que, no limite, podem ser entregas de apenas 1 ou 2 caixa de vinho.

7. Como vêm os vossos clientes? Os hábitos mantém-se ao longo do tempo?
Os clientes continuam a ser (para além da qualidade dos vinhos e das vinhas…) o nosso melhor activo. Mas estão cada vez mais exigentes, fruto, em parte, do actual desequilíbrio entre a oferta e a procura. Se deixarmos de fornecer vinho a um cliente, já estão na fila para entrar dezenas de outros produtores ou fornecedores de vinho, pelo que a importância no mercado de cada produtor (sobretudo os pequenos, como nós) é cada vez mais pequena. Além do mais, os clientes estão agora também muito mais bem informados e conhecedores do mercado do vinho. Em suma, não há margem para erros e uma pequena falha ou distração que comprometa a qualidade dos vinhos ou a confiança do cliente, poderá significar que, num ápice, outros ocuparão o nosso lugar.

8. Como se imaginam daqui a 10 anos?
Nos dias de hoje, fazer previsões a dois ou três anos já é muito difícil, mas a 10 anos então, torna-se virtualmente impossível. Em todo o caso, tirando a questão já abordada dos vinhos do Porto, onde em breve nos queríamos lançar, no que diz respeito aos vinhos DOC-DOURO, já temos duas marcas e uma gama muito ampla: um rosé, dois brancos e sete tintos, para além das garrafas Magnum que apenas saem nos melhores anos dos melhores vinhos, pelo que o nosso objectivo primacial não passa pela criação de mais gamas mas o de consolidar cada uma delas.

9. Qual o vosso conceito de sucesso?
Melhoria constante da qualidade dos nossos vinhos.

10. Numa frase como descreveriam a Casa das Torres junto dos outros.
A minha Avó costumava dizer: ”não tens valor nenhum naquilo que herdaste, mas sim naquilo que deixaste”.

www.facebook.com/Consensual-Sedinhas-Vinhos-do-Douro-1483005685263947


Fotografia por Shaun Michael